O FIO DA MEADA XV “CRIME ORGANIZADO – CONCEITOS E MECANISMOS”

A ética do capital é o lucro. O contrário é crime falimentar. Considere-se, ainda, que é direito natural de cada um querer o melhor para si. O que impede, que alguém se aproprie de tudo, ou que o capital predomine sobre o interesse público, são instituições sólidas, nítidas, adequadas para o convívio social e dotadas de mecanismos, que possibilitem seu constante aprimoramento.

Determinada sociedade pode evoluir e atingir elevados índices de aprimoramento institucional, todavia, como as instituições são contidas por fronteiras territoriais, esse país sempre estará vulnerável às incursões do capital transnacional apátrida, que obedece somente à ética do lucro, advindo de operações legais ou ilegais, e não respeita fronteiras. O volume de capital reciclado é tão grande que os investidores transnacionais não podem “dar-se ao luxo” de investir apenas em operações legais. Por isso, o crime organizado está a seu serviço.

O capital transnacional é amoral como as armas, tanto pode proteger, como destruir, dependendo dos objetivos de seus controladores. Caso as instituições do território alvo impeçam ou dificultem a consecução dos seus objetivos, todo o poder será usado para fragilizá-las. A corrupção resultante, esgarça a malha institucional, abrindo espaço para a ação do crime organizado. A violência é mera conseqüência desse processo.

A escalada da violência ocorre em razão de dois fatores: o desinteresse dos governantes em coibi-la e a associação sinistra dos criminosos com membros do poder do Estado. Exemplo disso é a polícia de trânsito, que chega a ser quase onipresente, porque arrecada, ao passo que a polícia responsável pela segurança do cidadão, limita-se a registrar ocorrências, prestando-se, apenas, a garantir os membros do poder.

O Brasil, mais do que agrícola, é um país mineral. Suas fronteiras, conquistadas pelos Bandeirantes de São Paulo, abrangem 8.500.000 km², considerando-se, ainda, um mar territorial rico em biodiversidade, minérios, petróleo e gás, sua população de 190 milhões e suas riquezas minerais e agrícolas, são condições básicas para qualquer país tornar-se potência mundial, ou seja, possuir recursos naturais, território amplo e mercado interno. Somente cinco países preenchem esses requisitos e o Brasil é um deles. Devido a isso, desde o descobrimento da Ilha de Vera Cruz, o capital dominante vem procurando fragmentar o território brasileiro. O Tratado de Tordesilhas é exemplo disso! Afora as inúmeras invasões e movimentos separatistas enfrentados pelos naturais da terra.

Alvo de incursões constantes, o povo brasileiro vem defendendo-se, como pode, de piratas e invasores, franceses, espanhóis, holandeses, jesuítas, ingleses e outros quetais. Todo esse esforço embarga o desenvolvimento do país, que carece de mecanismos adequados para defender-se e ao mesmo tempo garantir o progresso. Por quinhentos anos, o país vem sendo mantido no subdesenvolvimento, em razão da influência nefasta de bucaneiros internacionais, que a todos corrompem. O resultado é a pobreza do povo em gritante distonia com a riqueza do território.

A única possibilidade de sucesso do povo brasileiro, nessa luta surda contra os inimigos nas sombras, é a autodeterminação, o nacionalismo democrático. Somente assim, a sociedade brasileira poderá usufruir das riquezas do seu território.

A humanidade sempre conviveu com dois mundos, o do poder, que é o mundo real, onde estão às pessoas que fazem as coisas acontecerem, e o mundo virtual, habitado pelo grande rebanho do comum dos mortais, que sustenta o poder com o seu sangue, carne, couro e ossos, geração após geração.

O poder vive da desinformação do grande rebanho, que se entretêm pastando, tentando satisfazer suas mínimas necessidades, quando o permitem os seres do mundo real. Para romper essa “tensão superficial”, impõe-se a desmistificação de conceitos, único caminho que leva à participação do cidadão no processo de aprimoramento institucional.

Nos últimos 4000 anos o poder continua imutável, tendo apenas aprimorado a sua apresentação pública. Sua divisão tripártide, em nações de instituições fracas, como o Brasil, somente torna difusa a cobrança de responsabilidades. Nesse quadro, o povo não tem um “castelo” visível para cobrar iniciativas, tornando-se presa fácil do binômio crime organizado – poder público.

Aproveitando-se desse quadro difuso, os habitantes do mundo real provocam a luta de classes e promovem o crime organizado, tanto para lucrar, como para estabelecer válvulas de escape para a “panela de pressão” social. É a politização do crime como fator de distribuição de renda!

O crime organizado é a sinistra associação de criminosos com membros do poder público, que garantem o sucesso das operações criminosas. Sem a participação de membros do poder do Estado, o crime não se organiza.

No Brasil, infelizmente, a associação sinistra vai da sarjeta aos altos escalões da República, nos três poderes. É possível, que o mesmo ocorra em outros países, talvez de maneira mais sutil.

O crime organizado impôs ao Poder Público o desarmamento da sociedade, porque 80% (oitenta por cento) do tráfico de drogas depende de pequenos crimes, que sequer integram as estatísticas, porque as vítimas preferem não fazer ocorrência policial. Esse estratagema, do crime e seus aliados no poder, protege os agentes do tráfico, que se livram da imprescindível reação armada da população.

A “lei” do tráfico é o extermínio dos viciados e pequenos traficantes inadimplentes. Como o comércio de drogas depende dos pequenos crimes, o tráfico impôs a sua “lei” à sociedade, determinando a chacina das vítimas de assaltos, que tentam reagir, que tentam fugir ou, simplesmente, se assustam. Em razão disso, é que várias moças e senhoras, indefesas, foram friamente executadas por ladrões. De forma implacável, o crime organizado submete a sociedade aos interesses do tráfico pelo terror.

Os exemplos, abaixo destacados, dão uma tênue noção da atuação do poder – crime:
I – Os funcionários que controlam o estacionamento de veículos nas ruas (zona azul), praticam extorsão contra os motoristas, vendendo cartões a “preço de ouro”, sob ameaça de multa.
II – Os operários que fazem manutenção nos semáforos provocam congestionamentos para ganhar propina dos ambulantes, pedintes e ladrões que operam nos cruzamentos.
III – Os donos de estacionamentos de automóveis pagam propinas para que o Departamento de Trânsito proíba o estacionamento na via pública.
IV – A fiscalização por radares está sendo terceirizada, transformando as ruas e avenidas em verdadeiros caça níqueis, tanto para o tesouro como para os governantes, que transferiram, ilegalmente, o poder de polícia a empresas particulares para participar da “arrecadação”.
V – Governantes “privatizam” estradas para exaurir a sociedade com pedágios, ao mesmo tempo em que lucram participando das privatizações através de testas de ferro.
VI – Muitos policiais rodoviários extorquem motoristas e permitem o livre tráfico de drogas, armas, produtos sem nota, veículos roubados e etc.
VII – Os “patrões” (chefes) das favelas e bolsões de pobreza da periferia das cidades, enviam seus “soldados” para roubar, seqüestrar, matar, traficar e extorquir, durante o dia; à noite, retornam com a “féria”, que o patrão divide com policiais, que repassam parte da propina aos escalões superiores, num “sistema” capilarizado.
VIII – O jogo de números acumula capitais, com a proteção de governos estaduais, que há muito não prendem bicheiros. O capital acumulado com a contravenção é lavado em empresas legais e também aplicado no financiamento do tráfico de drogas e armas e em outras operações criminosas.
IX – Policiais participam do roubo de cargas nas estradas, ou dão cobertura às quadrilhas. A mercadoria é vendida aos grandes atacadistas e varejistas, com notas frias, com acobertamento de membros das Secretarias de Fazenda.
X – Membros do Governo Federal protegem interesses de banqueiros, com prejuízo da economia produtiva. Além disso, associam-se a financistas para lucrar com informações privilegiadas em pacotes econômicos e flutuações cambiais.
XI – Integrantes do Governo Federal mancomunam-se ao capital transnacional apátrida para doar empresas estatais e concessionárias de serviços públicos, criando mercados cativos e exaurindo a sociedade com aumentos abusivos dos preços das tarifas.
XII – Em defesa do corporativismo, juízes, promotores e delegados de polícia, fazem aprovar parentes e amigos nos concursos, estabelecendo guetos de poder. Além disso, mantém os seus quadros reduzidos para concentrar o poder que desfrutam, em detrimento do interesse público.
XIII – Membros do Legislativo leiloam seus votos, sem qualquer preocupação com o interesse público, coadjuvando os outros Poderes na obtenção de vantagens ilícitas, que comprometem a segurança nacional. Várias campanhas eleitorais, majoritárias e proporcionais, são financiadas pelo crime organizado, que atualmente está totalmente embricado no poder do Estado.
XIV – Mineradoras multinacionais e potências internacionais promovem o contrabando de minérios estratégicos (Nióbio, Quartzo, Titânio, Tântalo, etc),
fraudando o fisco e a economia, que fica privada desses valores, com o beneplácito das autoridades governamentais.
As “modalidades” do crime organizado são infindáveis, porque o crime está embricado em todos os níveis do Poder Público. Haja vista que as autoridades nunca se referem ao crime organizado em suas justificativas públicas, procurando passar para a sociedade a idéia que a violência tem apenas raízes sociais e econômicas, quando, na realidade, tudo ocorre por omissão e comissão dos próprios membros do poder do Estado.

Por desinformação da sociedade, o crime ramifica os seus tentáculos, protegido pela falsa democracia brasileira, que é via de mão única. O povo está sempre na contramão.

A reação da sociedade contra o Crime/Estado deve começar pelos grupos conscientes, que precisam travar a queda de braço com o poder-crime para, estancar sua ação deletéria e, concomitantemente, promover o aprimoramento institucional, cujo mecanismo mais importante é a participação da sociedade na fiscalização do exercício do poder, através de corregedorias colegiadas.

O processo eleitoral é insuficiente, isoladamente, para preservar o interesse público. Outros mecanismos participativos precisam ser desenvolvidos. As reformas necessárias podem concretizar-se pela força (Revolução, Golpe de Estado) ou democraticamente, num processo evolutivo mais demorado, sujeito a “marchas e contramarchas”.

Todo aprimoramento institucional passa, necessariamente, primeiro, pelo Poder Judiciário. Assim, caso a sociedade consiga participar das corregedorias de Justiça, o primeiro grande passo estará dado, porque o Judiciário decide as lides públicas e privadas.
Fortalecido, pela participação da sociedade, estará mais apto a promover a prestação jurisdicional e a garantir a consecução dos objetivos nacionais.

A participação da sociedade nas corregedorias dos órgãos públicos, é imprescindível para aprimorar as Instituições, porque ninguém pode ser juiz de si mesmo no trato da coisa pública!!

O crime organizado, instrumentado pelo capital transnacional, é um inimigo invencível, à espreita de todas as oportunidades de lucro. Resta, à sociedade, por seus segmentos mais esclarecidos, conscientizar-se do problema para, conhecendo o inimigo, estabelecer mecanismos de defesa que neutralizem sua ação.

BRASIL ACIMA DE TUDO!

São Paulo, 31 de março de 2001

OBS.: Como 80% (oitenta por cento) do tráfico de drogas no Brasil depende de pequenos e constantes crimes, o Governo Federal resolveu desarmar a população para submetê-la ao crime.

O “referendo” do dia 23 de outubro próximo, é manobra governamental em favor do crime! Desarmado, o cidadão ficará a mercê do crime e do poder de governos criminosos.

O organograma anexo explica a ação do governo para desarmar os cidadãos: O governo formal é mera força de sustentação do governo real (controlador). O crime é apenas o quarto elemento de apoio ao Controlador.

As forças armadas precisam cumprir a sua MISSÃO INSTITUCIONAL, que lhes foi outorgada pela Nação Brasileira, salvando-a do governo do crime, sob pena de ficarem reduzidas a meros janízaros do crime.

São Paulo, 12 de outubro de 2005

ANTÔNIO JOSÉ RIBAS PAIVA
GRUPO DAS BANDEIRAS
Presidente