O FIO DA MEADA XVI “A FRAGILIDADE INSTITUCIONAL”

Os fatos recentemente ocorridos em Caracas, onde a turba promoveu saques e depredações, sem que a polícia ou o exército tivessem condições de proteger a população e seu patrimônio, devem ser analisados e transpostos para a realidade brasileira.

Em São Paulo, por exemplo, existem milhares de favelados oriundos de todos os rincões do Brasil, pessoas sem especialização profissional, com sérias dificuldades para colocar-se no mercado de trabalho.

O desespero dessa gente, aliado ao seu despreparo intelectual, torna-os alvo fácil de demagogos e militantes de ideologias radicais, como ocorre na Venezuela.

Devidamente mobilizados, os favelados formam um exército temível em manifestações, contra ou a favor, daquilo que interesse, em dado momento, aos agitadores profissionais. Não é impossível, que 1 milhão de favelados concentrem-se na Av. Paulista, por exemplo, e promovam depredações, saques e até violência física contra transeuntes, trabalhadores ou moradores.

No Rio de Janeiro a situação é mais terrível, porque as favelas estão em morros que rodeiam a cidade e, os favelados, mobilizados por lideranças e agitadores, poderão não só concentrar-se em determinados pontos, promovendo depredações, saques e mortes, como terão a parte baixa da cidade à sua mercê, como ocorreu em Caracas, na deposição de Chaves, quando os seus “partidários” atiraram nos passantes a partir de seus prédios.

A lógica evidencia que seria, praticamente, impossível controlar 1 milhão de pessoas, tomadas pela violência, na Av. Paulista ou no Centro de São Paulo sem um verdadeiro massacre, que desestabilizaria qualquer governo, de qualquer matiz ideológico. A vulnerabilidade institucional pode agravar-se com a desmilitarização das Policias Militares, que são tropas experientes na contenção de distúrbios.

Nas outras Capitais o problema é o mesmo, variando, apenas, em intensidade. Mas, nenhuma força armada teria condições de sufocar a violência desencadeada por multidões furiosas, em várias Capitais, ao mesmo tempo. Esse cenário possível, seria agravado pelo terrorismo no campo, orquestrado pelo MST e seus congêneres, que sabotariam pontes, estradas, hidrelétricas, linhões de transmissão de eletricidade, além de provocar o desabastecimento dos centros urbanos, com a participação de terroristas de países vizinhos (FARC, F.Manoel Rodrigues, MIR, Sendero, cubanos, Tupac-Amaru), que já operam livre e impunemente em território nacional.

O colapso de qualquer regime ocorreria em questão de horas, porque os segmentos mais esclarecidos e responsáveis da sociedade não têm organização, treinamento ou disposição para enfrentar, pessoalmente, a baderna e as forças do Estado não seriam suficientes para resolver o problema.

É importante lembrar, que os ideólogos do terror, que controlam a mobilização da turba, estão unindo todos os movimentos no mesmo objetivo. Já ocorreram “manifestações” conjuntas de “sem teto” e “sem terra” e o governo anunciou que vai incluir detentos na reforma agrária, fato gravíssimo, que reforça a falange terrorista (PCC, Comando Vermelho). Os movimentos pelos “direitos humanos” integram essa orquestração sinistra, defendendo, na prática, a politização do crime como fator de distribuição de renda.

Levando-se em consideração que as Forças Armadas, vitimadas por doutrinas externas, têm sido estranguladas em sua operacionalidade com a redução inexorável do seu orçamento, é muito provável que as forças contrárias aos interesses do Brasil já estejam agilizando a tomada do poder, a partir do caos. É a estratégia de Catilina, que quase tomou o Império Romano há dois mil anos.

A única opção de defesa contra o levante “Spartaquista”, seria a antecipação da ação das forças de segurança, para bloquear a mobilização das favelas e da guerrilha rural, neutralizando as lideranças, nacionais e estrangeiras, envolvidas no processo.

Para garantir a antecipação da ação, sempre que necessário, é imprescindível um intenso e constante trabalho de coleta, classificação e análise de informações, que devem estar sempre atualizadíssimas, sem o que, os terroristas vencerão e o território brasileiro poderá esfacelar-se, como pretendem os inimigos comerciais e ideológicos do Brasil.

O trabalho de inteligência tem que ser homogêneo em todo o território nacional, com eventuais incursões no estrangeiro, portanto, apenas as Forças Armadas estão em condições de empreendê-lo com a eficiência necessária para propiciar a antecipação da ação.

Tudo indica, que a ação terrorista está em andamento e poderá ser deflagrada a qualquer instante, com apagões e atentados, ensejando golpes e contragolpes, portanto, o trabalho de inteligência precisa ser intensificado ou o Brasil será vítima da falta de previsão.

São Paulo, 23 de abril de 2002

Associação dos Usuários de Serviços Públicos
Antônio José Ribas Paiva
Presidente