O CÍRCULO VIRTUOSO E A INFLAÇÃO

A inflação é doença da economia, que corroe o capital, através da desvalorização da moeda.

A valorização motivada de ativos é sinal de saúde econômica, que agrega e protege o capital.
Na apuração de eventual índice de inflação, há que se diferenciar a valorização saudável, da doença econômica, analisando-se o fato gerador do aumento dos preços.
As sazonalidades devem ser expurgadas do cálculo do índice de eventual inflação, por refletir aumentos de preços episódicos, como ocorre, amiúde, com os produtos agrícolas, cuja formação de preços depende de fatores climáticos, mercadológicos e internacionais.
Quando ocorrem espirais ascendentes na economia mundial, as pessoas comem mais e os agroprodutos valorizam-se, capitalizando os produtores, capacitando-os a produzir mais e melhor, para abastecer o mercado. Forma-se um CÍRCULO VIRTUOSO! Todos se beneficiam da valorização dos agroprodutos: produtores, comercializadores e consumidores. E o aumento da produção estabiliza os preços.
No Brasil, maior produtor de alimentos (e minérios estratégicos) do mundo, os governos ancoram a suposta estabilidade econômica, depreciando os preços agrícolas, descapitalizando e onerando, com juros e impostos, o agroprodutor.
São medidas claramente autofágicas, na contramão da saúde econômica, porque o setor primário deve ser protegido e capitalizado, para alavancar os setores secundário e terciário da economia.
Quando os agroprodutos se valorizam, apesar das medidas oficiais contrárias, “furando o bloqueio” do governo, a saúde econômica do setor é rapidamente rotulada de inflação, para justificar o “veneno ortodoxo” do aumento da taxa de juros, e a restrição aos financiamentos necessários.
Esses venenos financeiros, descapitalizam o agroprodutor e revertem o círculo virtuoso de produção de comida, em volume e preços.
É imperioso, que assunto de tal importância estratégica seja desmistificado e tratado com honestidade de propósitos. Caso contrário, o Brasil continuará aquém das suas potencialidades e a nação permanecerá artificialmente na miséria.

São Paulo, 14 de janeiro de 2011.